terça-feira, 23 de outubro de 2018

Sem título

Me sangra o peito.

Dói.
Dói muito.
Não só a alma.
Dói a carne.
Dói o músculo que pulsa.

E tudo enrijece;
Os ombros pesam,
Os olhos incham,
O esqueleto não quer sair da cama.

Mas depois da noite,
Quando a luz vem cobrar a existência,
Os gestos precisam ser calmos
Nulos,
Indiferentes ao peito sangrando.

E assim espera-se que mais uma noite venha
E sem lua,
Pra lembrar que o momento é de escuridão.
De solidão.