Neste dia 23 o Raul completou três meses. E três meses para um bebê, é um marco, uma vitória. Antes eu pensava que só sairia de casa após esse período, já que ele estaria mais forte e imune (ainda bem que as coisas mudaram!), mas mesmo com novas descobertas da ciência, o 3º mês traz mudanças radicais.
Li bastante e, apesar de cada teórico falar uma coisa, todos concordam com os chamados “picos de desenvolvimento” e um deles ocorre agora. Dizem também que até este momento, mãe e filho eram um só, na percepção do bebê. E agora ele começa a olhar nos olhos da mãe e vê-la como um indivíduo independente dele. Passa a imitá-la nos gestos, como sorrisos, caretas e outras.
O chamado “salto no desenvolvimento” vai ocorrer várias vezes ainda, com 4, 6, 9 meses, até a adolescência, e traz grandes conquistas para nossos pequenos. Antes de falar o que o bebê com três meses geralmente é capaz, tenho que dizer que esse “salto, pico”, vem acompanhado, às vezes, de uma certa irritação, inquietação. Isso ocorre porque depois de adquirida uma nova habilidade, o bebê se empolga tanto que não quer parar de praticá-la. Até que ele se aquiete novamente, pode trazer transtornos no sono, choramingos e irritação. Mas, pra nossa sorte, isso dura poucos dias e depois as coisas voltam ao ritmo normal. Outro aspecto importante é que os especialistas pedem que as mães tenham mais paciência com os “conquistadores de novas habilidades”, porque neste momento muitas acabam apelando à medicação, já que o bebê não fala e começam a pensar que ele está com algum problema de saúde, com cólicas etc. É preciso ter paciência em dobro e bastante carinho, para o bebê se sentir seguro ao atravessar essa fase. Dizem que é comum eles ficarem mais carentes e muitas vezes resistirem até à rotinas já estabelecidas. Isto porque seu sistema perceptivo e cognitivo muda, ou seja, há maturidade neurológica mas não há tempo para adaptação às mudanças. Portanto, é normal ele estranhar o “novo mundo” e procurar o “velho”, ou seja, a mãe. Sendo assim, ao mesmo tempo que ele fica feliz e independente com a nova habilidade, ele sente receio e angústias com a nova situação, precisando trabalhar esse sentimento confuso que essas conquistas trazem.
Meu Raul acho que tá vivendo isso. Há uns quatro dias ele acorda de madrugada, a cada 1 hora/ 40 minutos. Ele chora, eu o pego, ele mama um pouco e dorme. Mas depois da terceira vez eu já estou exausta e acabo colocando ele em minha cama, daí ele dorme umas três horas seguidas. Então penso: “deve ser safadeza dele!” Mas durante o dia, acontece dele estar brincando, rindo e, de repente, cair num choro sentido que dura alguns minutos e dá um desespero enorme em mim por não saber a causa. Tenho carregado bastante ele no sling pra que sinta meu calor e que apesar de sermos dois corpos distintos, estamos juntos. Também tenho evitado “outros colos” porque esses choros geralmente ocorrem quando ele está sendo carregado por outra pessoa. É difícil porque ninguém entende, antes ele ficava bem com qualquer um e agora chora de repente, mas eu acredito que vá passar, por isso prefiro poupá-lo e deixar que mais pra frente ele volte a ser receptivo. Mesmo porque, dizem que depois da “crise” o bebê demonstra muita felicidade com a nova habilidade adquirida (rir, engatinhar, andar, sentar etc).
Passado esse ponto negativo, com três meses a evolução é bem grande. O bebê já é capaz de ficar com a cabecinha pra cima, ou seja, ele está mais durinho. Braços, pernas e mãos começam a ficar mais coordenados. Ele consegue segurar objetos e empurra cada vez mais forte o chão quando é apoiado nas perninhas. A parte do cérebro que permite o reconhecimento visual está se desenvolvendo rapidamente. E a parte que auxilia na audição, linguagem e olfato está se tornando mais ativa. Sendo assim, a partir de agora ele começa a reconhecer as pessoas que o rodeiam e, algumas vezes, demonstra preferencias e estranhamentos. Ele também já pode ser capaz de, ao ouvir nossa voz, nos olhar diretamente e tentar conversar!
Estímulos
Nesta fase tão especial e de grandes descobertas, o estimulo é muito importante. O bebê está começando a desenvolver a linguagem, por isso descrever objetos e ações, cantar e ler são atitudes simples que serão fundamentais para maior desenvolvimento verbal.
Ler?
Sim, não importa ainda o que está sendo lido, o importante é que a criança tenha acesso desde cedo ao mundo dos livros e da leitura. Além de auxiliar na possível formação de novos leitores, o ato de ler para os pequeninos, aumenta o acesso a palavras não usadas no dia-a-dia, faz com que eles conheçam diferentes formas de se expressar (narrações e poesias, tem uma “dança” diferente uma da outra, por exemplo). Ainda não importa o conteúdo dos livros, mas se for comprar, prefira os que tragam coisas do dia-a-dia, pois logo, logo, ele vai adorar livrinhos com carros, animais, banho, enfim, coisas que já vivenciaram e estão vivendo novamente através das imagens e oralidade. Contos de fadas e outras histórias começam a fazer sentido só por volta dos três anos, mas não é por isso que não vamos conta-los, né?
Vocês lembram que eu montei uma caixa de brinquedos? Então, dentro dela eu tenho um livro de histórias sobre o saci (eu adoro sacis!); um livro de banho, de plástico, em forma de sapo e cheio de desenhos; um livro com vários contos dos Irmãos Grimm (adoro também) e brinquedos de pelúcia, plástico, borracha, que fazem barulho ou não. Quando pego a caixa, estimulo tanto o tato quanto a audição, linguagem e visão. Mas não leio quando abrimos a caixa, muitas vezes brincamos e em outro momento pego o livro e conto uma história. É lógico que nunca chegamos ao fim no mesmo dia, afinal ele se cansa e respeitar seus limites é fundamental, mas é gostoso deitar com ele na cama e descobrirmos juntos uma história nova, ou recontar-lhe uma das minhas favoritas.
Bem, ainda tenho mais pra escrever, mas estou há tanto tempo sem postar nada, que vou terminando por aqui e assim que der, escrevo mais.
brasil.babycenter.com/baby/desenvolvimento/03m0w/



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