terça-feira, 15 de abril de 2014

Criação com Apego / Attachment Parenting -texto 11 blog nas ondas da maternidade



Quando cheguei ao hospital com a bolsa estourada, me colocaram em um quarto onde não podia entrar a família. Estava eu lá, desanimada porque queria o Mário comigo e quem estava deitada na cama ao lado era Cristina. Em sua terceira gestação, Cristina estava sozinha com sua bebê no ventre. Não havia ninguém nem na sala de espera aguardando notícias.
Raul nasceu primeiro, de cesárea, e depois de pouco tempo veio ao mundo Luana, filha de Cristina, de parto normal. Enquanto sofríamos com as dores do parto, a falante Cristina me contou que tinha mais um casal, que o primeiro foi cesárea mas o segundo foi normal e ela esperava ter normal de novo.  A família morava em um sitio, na divisa entre São Roque e Araçariguama e o pai do menino (filho mais velho) não via a criança (com uns 8 anos, se não me falha a memória).
Fui para o quarto, rezando pra que não fosse a Cristina minha parceira porque ela “falava demais” (meu, eu tava morrendo na ocitocina, me concentrando pra não berrar, contando pra passar logo as contrações e ela no maior blá blá blá comigo!) Mas como Deus sabe muito bem o que faz, depois de um tempo chega ela e sua bebê pra ficar no leito ao lado. Meu Mário passou o dia comigo, recebemos visitas, o Raul tinha que ser acordado pra mamar, foi uma maravilha. Mas quando a noite chegou e eu tinha ao meu lado a minha mãe, o Raul deu o show: chorava que chorava. Eu, toda costurada, com medo de levantar por causa da rack, minha mãe chacoalhando o Raul de um lado para o outro e a Cristina, sem acompanhante, dormindo, roncando. Por volta das 3hs da manhã resolvi espiar o que aquela mulher, que mal tinha informação, não tinha nem email, estava fazendo pra dormir tão tranquilamente com sua bebezinha: elas estavam dormindo juntas, a bebê não estava no bercinho, estava deitada ao lado da mãe. É obvio que eu copiei e conseguimos dormir nós três: eu, Raul e minha mãe.
Depois comecei a ler e percebi que Cristina estava praticando o co-leito e que sua prática era alvo de pesquisas há anos. A Criação com Apego, Attachment Parentig ou ainda Criação Intuitiva desperta a curiosidade de pesquisadores há mais de 60 anos e tem ongs e defensores de todas as nacionalidades que pregam sua prática. De todas as leituras que fiz (não foram muitas), o que mais me convenceu e impressionou é que eles simplesmente falam, nem que sejam em outras palavras: siga seus instintos. Conexão e equilíbrio são palavras chaves dessa “teoria”, que me causou curiosidade e causa tanta polêmica pelas diversas interpretações mundo afora.
São oito os princípios que norteiam a “Attachment”:
- preparar-se para a gravidez, parto e maternidade;
- alimentar com amor e respeito (fazer das refeições um momento de amor e conexão);
- responder com sensibilidade;
- nutrir através do toque;
- garantir sono tranquilo e seguro, emocionalmente e fisicamente;
- fornecer cuidado consistente e amoroso;
- praticar a disciplina positiva;
- buscar o equilíbrio em sua vida pessoal e familiar.

Dos oito, pra mim, os mais difíceis são os dois últimos. Equilíbrio em sua vida pessoal e familiar é o que muita gente busca, e isso é difícil pra caramba de se alcançar porque não depende de uma só pessoa e sim de um grupo que se dispõe, ou não, a alcança-lo. Praticar a disciplina positiva eu tenho treinado com meu trabalho com crianças, devido a aulas de filosofia e psicologia que tive e que descobri coisas incríveis a meu respeito e a respeito das outras pessoas. Raramente percebemos o quanto as palavras ferem. Chamar uma criança de burra, ou dizer que ela é isso, ou aquilo, é impor-lhe um adjetivo que ela vai carregar para o resto da vida e vai acreditar sê-lo. Chamar o capetinha de bonzinho, dizer docemente que não gostou de algo que te deixou irada e espera que não se repita, elogiar sempre e utilizar apenas adjetivos positivos, exige muita prática e atenção.

Hoje, vivendo um caso especial, eu e Raul dividimos a mesma cama. É uma delícia, é lógico, mas pretendo que ele vá para o quartinho dele (só não sei se eu vou conseguir deixa-lo lá, sozinho, mas isso é outra história). Carinho, colo, sling, massagem, isso tudo já esta incluso na nossa rotina. Fazer das refeições um encontro familiar também. Então me pergunto: será que é preciso teóricos falarem que respeitardar amorfazer apenas o que você gostaria que fizesse com você, é muito benéfico a bebês e criancinhas?
Cristina praticava o co-leito, as africanas, indianas que amarram seus bebês em panos os nutrem através do toque e, até onde eu sei, elas não são mulheres antenadas, estudadas, com acesso a internet e o mundo de informações a seu alcance. Porque será que nós, mulheres modernas, estudadas, curiosas e pesquisadoras muitas vezes julgamos nossos pequenos como se fossem um mini adulto e esperamos que eles saibam exatamente o que devem fazer? Será que nos distanciamos tanto dos nossos instintos que é preciso vir gente de fora pra dizer como agir com mais naturalidade?
Ainda bem que tem louco pra tudo nesse mundo, tem até gente dando nome à criação com apego. Assim, talvez tenhamos um futuro mais pacífico, com mais gente dando e recebendo amor, com mais respeito.

Este texto foi uma rápida reflexão, mas encontrei um mundo rico de informações e dicas no:

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