quinta-feira, 24 de abril de 2014

Primeiros Argumentos

Raul nunca foi chorão.
Até o 5º mês a regra era clara: em hipótese alguma ele podia chorar. Então, ao primeiro "hé", já tinha alguém em cima dele, pra ver o que era. Sim, foi um bebê super mimado nesse sentido.
Agora descobriu o que é o choro e as vezes até paro para ouvir, rir e esperar ele abrir aqueles olhos sem lágrimas acompanhando um biquinho lindo. Daí, quando ele me vê, ali, assistindo ao seu teatro, ele ri. É incrível, mas já sabe que com a mamãe, não dá tentar um choro falso.
Hoje, tomando banho com o Mário, ele disparou a chorar. Mas chorou sentido, sem parar, por uns 10 minutos. Entrei no banheiro, perguntei o que havia, o tirei de lá, ele quis voltar, foi pro chuveiro de novo, queria que eu entrasse, eu entrei, ele saiu, eu continuei. Tudo isso aos berros. Muito choro. Daí eu comecei a cantar e devagar foi passando. O Mário não notou nada, não conseguimos identificar o que havia ocorrido.
Como de costume, depois do almoço, eu e o filhão demos aquela cochiladinha... Depois que acordamos, ainda na cama, ele olhando pras minhas fotos e do Mário, disparou:
-  Papai tá bravo. O Raul chorou.
- Porque você chorou, filho?
- Unhé, unhé, eu chorei assim. Papai pos o sabonete.
- Você chorou por causa do sabonete? Você não queria sabonete?
- Eu chorei, chorei. A mamãe falou: o que está acontecendo (ele disse isso com uma voz mansinha, ai que fofo), o que houve filho. E eu chorei, chorei, Unhé, unhé. O papai tá bravo.
- Já ta tudo bem, querido. O papai não está mais bravo. Já passou.  Você precisa contar pra mamãe quando acontece alguma coisa, ta?!
O Mário realmente ficou bravo com o choro incansável. Mas o Raul nunca tinha feito isso. E muito provavelmente minha paciência com o filhão o ajudou na irritação.
Tudo bem, passou.
Agora a noite, depois de toda a rotina, ele quis que eu ficasse com ele na cama. Subi na cama, bati no bumbum, contei história, rezamos, bati mais no bumbum, ele pediu a coberta, ficou com siricotico e avisei: "Se falar de novo eu saio do quarto, daí só abro a porta depois que você dormir!" Ah, ele não resistiu: blá blá blá.
Saí do quarto.
Começou a choradeira.
Depois de uns 10 minutos eu não aguentei e fui lá. Abri a porta com força na maçaneta e disse, no escuro:
- Mas o que é que tá acontecendo aqui?
E antes que eu continuasse, ele levantou a cabeça e falou:
- Eu to chorando!
Disse essa frase sem nenhum solucinho, como já esperasse pela pergunta e tivesse com a resposta pronta, na ponta da lingua. Quase casquei o bico, ali, na frente dele. Mas não podia, estava brava.
- Eu fiz um combinado com você e você não cumpriu. Por isso eu saí. Agora tá com a camiseta toda molhada!
- Tem que trocar.
- É, eu vou trocar, você vai virar de lado e dormir.
Pus outra camiseta, Apaguei a luz, ele se enrolou na cobertinha e disse:
- Bate mamãe!

Quero ver resistir!

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