quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um cachorro ou um tatu?

Negão e Zac, quando moravam na cidade
Todo mundo acha lindo um cachorro peludinho, bem cuidado, com cara de ursinho.
Bem, tenho dois desses! O Negão, meu mais velho, é o líder. Foi o primeiro a nascer e o primeiro a me enlouquecer com problemas de saúde. Logo no seu primeiro banho, me ligaram dizendo para ir busca-lo: saia sangue de sua boca, tinha tido uma parada cardíaca... só zica. Era um sábado, em uma cidade escassa de recursos, levamos ele pra São Paulo, onde ficamos até quase a meia noite e só pude trazê-lo assinando um termo de responsabilidade. Seu estado era gravíssimo (bem, deixamos quase as calças lá). Tudo passou: uma ou duas semanas de soro pela manhã e a tarde, uma radiografia indicando liquido no pulmão. Meu Negão superou tudo isso. É um forte! Este ano já deu trabalho de novo, tava com a respiração esquisita e eu quase nada preocupada o levei ao veterinário: o coração estava inchado. Nada de ração, só arroz com carne, anti-biótico, etc, etc...  “Sarado” , semanas depois começou a vazar um líquido da sua perna: um berne, bicheira, mordida de aranha? Não, talvez uma mordida do Zac, que inflamou. E por falar em Zac...
Zac era meu loiro até chegar o loiro original (Raul). O mais novo da ninhada, era o único que a Morgana (mãe dos dogs) permitia entrar no nosso quarto. Eu sempre o quis, principalmente por ela o querer. Zac é o típico cão fiel: não sai de casa (quando ele está sozinho olhando pela janela, com certeza é porque o Negão tá na rua), me segue onde estou (banheiro, quarto, cozinha...), em uma discussão de casal ele nunca me abandona (está sempre atrás das minhas pernas), enfim, um exemplo de lealdade.

Os três na janela, esperando visita

Parceiros descansando
Nossa vida era assim: dois cães fofinhos e mimados, até sermos adotados pela “sem raça definida”.
É, por uns 15 dias expulsamos o cachorro que apareceu no quintal. Mas não resolveu. Um belo dia, um pouco embriagado, o Mário falou que devíamos ficar com ele. Não pensei duas vezes: se for fêmea, ela é nossa! E bingo: era menina! Eu já tava com o coração partido porque ela dormia atrás do galinheiro, pra se esconder da gente. Então, nem adiantou argumentações de um sóbrio: a palavra dita não volta atrás. Ficamos com ela.
Magrela era filhotona, devia ter uns três, quatro meses. Magra de aparecer as costelas, tinha alguns carrapatos enormes, de dar nojo e dó. Alimentamos, castramos, a amamos também. De vez em quando eu não resisto e deixo ela entrar e dar uma dormidinha na cama dos meninos!
Mas ela, vira latona que é, é terrível. Tem uma energia inesgotável, come tudo (sapatos, roupas, brinquedos, até latas de cerveja!), rouba os ovos das galinhas, pula em todo mundo que chega, quer brincar de morder... ai, é uma arteira!
Magrela é livre, gosta de ficar no meio do mato alto, de ficar gosmenta com o óleo do capim, de correr feito louca pelo quintal, pela rua, pela vizinhança... Mas é fiel, também. Onde vou, ela vai. E as vezes vai na louca, correndo, tenho que segurar o Raul, porque senão ela derruba mesmo!

Operada, recebendo cuidados especiais

Queridona
E o Raul? Ah, ele desde bebê brincava com o Zac, que trazia a bolinha pra ele. A primeira coisa que ele aprendeu a falar foi: “au, au”, ou seja, ele latiu antes de falar. Mas agora, Magrela é sua adoração. Não falava nem Zac, nem Negão (até hoje ele não fala Negão, chama ele de Tontão), mas Magrela aprendeu a chamar rapidinho. Ele senta em cima dela, deita, deixa ela engolir sua mão, braço.... Magrela é sua adoração.
Hoje, tentando tirar foto de um passarinho, ela me seguiu. Me seguiu, se enfiou no mato e não saía mais. Daí eu comecei a chamar, olhar pro meio do matagal e, a principio, achei que era um pintinho porque as galinhas sempre estão botando no meio do mato. Abaixei-me e lá estavam aqueles olhos negros, arteiros: Magrela estava deitadona como se fosse num ninho feito pra ela.

close no buraco de tatu

Olha o buraco!!


Daí me pergunto: será que ela é um cachorro ou um tatu?


Eu e meus 4 amores! (o quinto tirou a foto)


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