domingo, 13 de abril de 2014

Mãe pela Segunda Vez

Há uma sutil diferença entre marinheiros de primeira viagem e os que já estão partindo pra segunda, terceira expedição.
Na primeira, a insegurança e não saber o que esperar do desconhecido predominam. Não adianta ler artigos, blogs, receber conselhos, dicas e receitas infalíveis. Na hora H, de repente uma dica pode ser útil, mas no dia-a-dia, na hora do pega pra capa, ah, não há livro que dê a receita!
Ser mãe é assim. O primeiro filho é um mistério. Primeiro vem as transformações com o corpo, com a mente, quem sabe com a alma. Os hormônios borbulhando, o paladar aguçado, as roupas encolhendo, os pés inchando, a alegria inexplicável. E teorias e mais teorias pra quando o primogênito chegar. Daí...

“Ai, acho que a bolsa estourou!”
“Querido acorda...”
“Ahh, deixa eu dormir mais um poquinho...”
“Não Amore, sabe o que é, eu acho que a bolsa estourou...”
Ele pula da cama, com aquela calma peculiar aos homens, mãos na cabeça, mãos na minha barriga... “ meu Deus, meu Deus!!! E o que eu faço agora?”
“Fica calmo, levanta (não, ele já tinha levantado e estava mais acordado e assustado do que nunca!), troca de roupa, escova os dentes que eu vou ligar pro médico. Daí a gente vê o que faz.”
Em nenhum livro, blog ou coisa do tipo estava escrito: “prepare-se para o grande dia: na hora do parto faça isto e para orientar o pai babão desesperado que não vai saber o que fazer, aquilo”.
Bem, o hospital com certeza foi a pior parte: enfermeiras rindo porque eu queria o parto normal, o médico seco, sem explicações, eu deitada na cama, com a ocitocina, não podia andar, não podia ter meu parceiro ao meu lado. Enfim, a cesárea foi um sucesso e o oposto de todas as possibilidades sonhadas.
E aí o mundo pára quando aquele serzinho tão querido e desejado está nos seus braços.

Mas tcharam... ele precisa mamar. Ah, todo mundo sabe disso! A questão é que teoria e prática são coisas tão, tão distantes...

almofada de amamentação


A inspiração pra este artigo foi a almofada de amamentar. Hoje olhei pra ela e não consigo mais imaginar eu amamentando o segundo bebê usando-a. Amamentar ficou tão natural que ri de mim mesma lembrando dos primeiros meses!

Penando, no hospital


Quando Raul nasceu, no hospital me ensinaram a amamentar deitada (por causa da anestesia). E assim eu passei semanas até ter coragem de me sentar pra dar de mamar.  Sentada, a almofada salvava minha vida, porque dava segurança pra carregar o bebe. Que loucura! Raul mama até hoje e isso virou tão prático como calçar os chinelos!

Ahaa! Até na rede!! Nada como a prática!
                                                   

Como tudo na vida, a primeira vez é uma experimento atrás de outro.  É a chance de tornar comum o que era estranho. É a oportunidade de familiarizar-se com o desconhecido, de encontrar a sua fórmula mágica e escrever o seu livro com o método infalível.
Quantas e quantas vezes cortei a ponta do dedinho tentando apenas cortar as unhas que arranhavam o bebê! Banhos quentes demais, roupas em excesso, suadeira....
E agora que o segundo está a caminho, penso eu que muitas coisas já fazem, ou fizeram, parte da minha rotina. Não vou usar a almofada de amamentar, mas a cadeira sim. Espero não cortar nenhum dedo e que as águas dos banhos sejam perfeitas.
É impossível tornar-se mãe pela segunda vez, porque uma vez que você é mãe, jamais deixará de sê-lo. Já sou mãe. Já sei dar de mamar, trocar fraldas rapidamente, qual é uma boa alimentação...
Ser mãe de dois, ahh, melhor nem ler nada. Vou me atirar mesmo! Que venha mais um professor, mais um mestre pra me ensinar como ser melhor. Estou aqui, pronta pra receber as lições e os ensinamentos de desses dois anjinhos, que me foram emprestados por Deus e eu tenho o prazer de chama-los de filhos.


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