Ontem levei o Raul ao pediatra. Ele está com 4,800kg e 54cm. Engordou 1,800kg e cresceu 7cm. Ficamos muito felizes ao ver que nosso bebê está crescendo como abobrinha (a avó do meu marido que diz isso)! Ele falou que no leite materno tem todas as vitaminas necessárias, exceto ferro e vitamina D e E, que devemos complementar até ele completar um ano. Também indicou dar cinco gotinhas de tylenol uma hora antes da vacina e mais cinco, três horas depois, pra evitar a febre (o Raul vai vacinar na próxima terça).
Conversa vai, conversa vem e falei da chupeta. Daí eu levei um puxão de orelha: “Você quer corrigir um erro com outro”. Ele perguntou o porquê de eu querer que ele pegue e eu falei que era pra que o Raul dormisse bem sem a minha presença à noite. Então veio o sermão: “Com certeza ele tá dormindo no peito, fazendo o peito de chupeta. Não pode! Se continuar assim, qualquer coisa ele vai buscar o peito: caiu, vai pro peito; não gostou, vai pro peito; tá com sono, vai pro peito... E aí eu quero ver! Na hora de dormir você tem que por ele na cama, acender um abajur e ficar lendo um livro, ali do lado. Pronto! Ele vai chorar um pouco, mas depois vai dormir... Aqui neste prédio eu sou o único pediatra e o resto é tudo dentista, então imagina o que significa a palavra chupeta aqui. Você vai dar agora e vai ter um trabalhão enorme pra tirar depois!”
Cheguei em casa e foi inevitável o turbilhão de pensamentos.
Estudei um pouco, li bastante e teoria, sabemos de montão. Mas nossa maior questão aqui neste blog é a prática.
Ontem ele não quis a chupeta, mas agora dorme feliz com ela. Eu dei e vou dar a chupeta toda noite. Já está decidido. Eu chupava chupeta e me lembro perfeitamente como era gostoso. Com a mamadeira nem se fale (acho que eu larguei com uns 9-10anos).
Outro motivo para os pediatras e psicólogos me excomungarem vou confessar agora: toda tarde eu durmo com ele chupetando o peito. Deitamos juntos na minha cama e ali ficamos algumas horinhas. Pela manhã também, eu encosto o berço na minha cama, pego ele e damos aquela cochilada matinal juntos. “Não pode!” “Ele vai ficar dependente!” Esse tipo de pensamento é constante já que sou educadora e fã de Paulo Freire, sendo assim, visamos sempre a autonomia do educando. Mas é aí que o bicho pega: será que tenho que condicionar um recém-nascido? (poxa, 2 meses ainda é recém saído do útero!) É obvio que quero que ele seja um adulto seguro, uma criança autônoma, mas um bebê criado de acordo com as melhores teorias de desenvolvimento NÃO. Ele mal sabe fazer cocô e os profissionais me falando faça isto, não faça aquilo! Vou seguir mais meu instinto.
Por falar em instinto, uma tia médica (e mãe) me disse algo outro dia que ela nem faz ideia o quanto pesou: “Quando meu filho era bebê ele dormia sozinho no quartinho dele. Aí chegou o inverno e aqui em São Roque fazia aquele friozão. Eu morria de dó, mas os médicos sempre disseram que ele tinha que ficar no quarto dele. Até que um dia uma amiga me fez uma pergunta: Você já viu, em toda a natureza, alguém deixar sua cria sozinha? Karen, depois desse dia ele dormiu muitas vezes com a gente, até grande as vezes ele aparecia de manhã lá na nossa cama!”
Pronto, ela falou o que eu precisava ouvir. Eu queria parto natural, afinal faço parte da natureza. Agradeço aos seres mágicos diariamente. E com meu filhotinho eu vou ser racional? Peraí! Vou tentar seguir um pouco mais meus instintos. (isto inclui dar a chupeta a noite e deitar com ele na cama)
Outro dia a Carol me indicou um blog (potencialgestante.com.br) e li um artigo no qual a escritora dizia ter a sorte de poder ficar com o filho em casa e, além de dar dicas, comenta que as pessoas a questionam sobre a socialização. Os estudiosos de hoje sabem mais do que nossos avós (que nos educaram sem ajuda da ciência). A criança tem que ir na escola desde 1 ano de idade. Eu trabalhei em creche e vivenciei: as crianças começam a se socializar a partir dos 2 anos e meio – 3. No berçário as crianças brincam sozinhas. No berçário 2 também. É lindo ver o momento em que eles descobrem o outro. Vivenciei isso ano passado: na sala tinha 14 alunos. 12 com idade entre 2 e 3 anos, que não usavam mais fralda (esse é um lado positivo da creche, elas ajudam muito nesse momento) e conseguiam brincar um com o outro. Os outros 2 alunos davam muito trabalho no berçário e passaram pra nossa sala, já que eram “adiantados” pra ficarem com os bebês. Esses 2 alunos, além de serem os únicos de fralda, não se socializavam. Eles sabiam o nome de todos os coleguinhas, cantavam as musiquinhas, mas não brincavam juntos, no máximo, mordiam os colegas! Enfim, é lindo dizer palpitar, falar que é um absurdo seu filho estar fora da escola, mas quem realmente sabe o que acontece lá dentro?
Falei sobre o caso da escola (mais pra frente nos aprofundamos mais) porque é a mesma coisa: faça isto, não faça aquilo.
Concluindo: temos que ouvir, REFLETIR e deixar nosso lado "humano", materno, ser mais forte que todas as teorias. Afinal, nunca ouvi ninguém reclamar que recebeu carinho demais e está passando mal.



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